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terça-feira, 5 de julho de 2011

Artista pinta painel gigante em prédio no centro de São Paulo

Caros amigos internautas, hoje estou postando reportagem do jornal Folha de São Paulo da jornalista MAYRA MALDJIAN.  Li e achei muito bem escrita. Até mesmo por que a Mayra relata o fato com certa surpresa quando andava na rua. Achei bem espontâneo. Então vai todos os créditos para a jornalista e para a Folha de São Paulo. E também para o artista. Prometo fazer um post especial sobre o cara.



Artista pinta painel gigante em prédio no centro de São Paulo

MAYRA MALDJIAN
DE SÃO PAULO



Daniel Melim, 31, e sua equipe já haviam deixado o local quando atravessei a rua e dei uma olhadinha para cima. Um painel gigante pintado pelo artista plástico em uma das regiões mais cinzas de São Paulo saltava aos olhos de quem transitava por ali.

A partir da técnica do estêncil [moldes vazados e tinta] e de referências da pop art, Melim grafitou a imagem de uma mulher na lateral de um prédio residencial da avenida Prestes Maia. Com 33 metros de altura e 25 de largura, o painel é o maior que ele já fez.

"O estêncil tem essa coisa da repetição de imagem, que é também um traço da pop art", explica o artista. "Eu gosto de trabalhar bastante essa questão do clichê e de ilustração dos anos 50. E essa imagem meio que lembra propaganda, só que eu a coloco em outro contexto. O sentido dela muda, dá uma ironia", sugere.

legenda: Painel feito pelo grafiteiro Daniel Melim no centro de São Paulo crédito: SHN/Divulgação


Com esse projeto, realizado em parceria com a KLM e a Choque Cultural, Melim quer propor "um outro jeito de pensar o espaço urbano" e "como o cidadão e o artista podem intervir nele".

O prédio, escolhido durante suas caminhadas, faz parte da degradada região da Luz, alvo do maior programa de revitalização da cidade. "É uma área muito contraditória. De dia funciona todo um aparato público, a Pinacoteca, a estação da Luz, o Museu da Língua Portuguesa. À noite, ela muda completamente, você vê a cracolândia em ação."

Para evitar encrenca, antes de começar sua intervenção, Melim pediu autorização à prefeitura e ao condomínio do prédio. "Foi uma longa caminhada, levou alguns meses, mas foi tudo bem planejado", conta. "A gente pediu para deixar o painel ali por pelo menos seis meses. Então até o final do ano ele deve ficar de pé."

DIA E NOITE

Para trabalhar nas alturas, Daniel Melim contou com um guindaste, uma balança e a ajuda de Ricardo, amigo que o auxilia na montagem de exposições. "Teve um dia que o vento atrapalhou um pouco, mas a gente conseguiu contornar. Imagina o quanto o equipamento não balançava", lembra Melim.

Dos 15 dias de mão na massa, sete foram necessários para cortar os cerca de 60 moldes vazados --37 deles apenas para a imagem principal-- e oito para aplicar a arte na parede. Para cumprir esse prazo, Melim e Ricardo chegavam ao local às 9h da manhã e só saíam de lá por volta das 20h. Na ponta do lápis, registrou aproximadamente 200 latas de spray e 80 litros de tinta látex.

O trabalho, que terminou em 23 de junho, foi árduo, mas prazeroso. "De lá de cima a gente conseguia ver a galera atravessando a passarela. Alguns tiravam foto, outros assobiavam, gritavam ou tentavam fazer algum gesto para dizer que estavam curtindo", conta.

Em 16 de julho, o artista inicia uma exposição complementar ao projeto na galeria Choque Cultural. Entre as mostras das quais já participou estão a Bienal de Valência (2007), o "The Cans Festival", promovido pelo polêmico Banksy em um túnel em Londres (2008) e a exposição "De dentro para fora/ De fora para dentro", no Masp (2009-2010).

legenda: Painel feito pelo grafiteiro Daniel Melim no centro de São Paulo crédito: SHN/Divulgação

legenda: Painel feito pelo grafiteiro Daniel Melim no centro de São Paulo crédito: SHN/Divulgação

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